Alimentado pela errância e curiosidade, o adolescente J.J. Milteau escolhe o harmonica, pequeno no tamanho mas imenso pela emoção que transporta. Nestes páginas, o artista partilha com humor e entusiasmo seu apego a um instrumento do quotidiano, discreto, tátil e incrivelmente expressivo. Entre confidências de intérprete e olhar de pedagogo, ele esclarece o que faz a singularidade do harmonica: a respiração que esculpe o som, a precisão do sopro, a escuta fina dos intervalos e essa ligação imediata com o corpo e o coração. O leitor encontra aqui referências para desenvolver um jogo pessoal: estabelecer um groove simples e regular, articular as notas, trabalhar o timbre, ousar as inflexões e cultivar uma intenção musical clara. J.J. Milteau convida a fazer do harmonica um companheiro de viagem: fácil de levar, sempre disponível, propício à improvisação como à canção. Sem jargão desnecessário, ele traça um caminho onde o prazer guia a aprendizagem, onde cada inspiração e expiração se torna uma frase, um sopro de blues, folk ou canção, e onde se descobre que a modéstia de um pequeno instrumento pode fazer ressoar grandes emoções.