Livro de órgão, primeiro caderno propõe uma seleção de peças extraídas das óperas de Jean-Philippe Rameau, reinventadas para teclado por Yves Rechsteiner. Encontra-se ali o espírito teatral e a riqueza rítmica do repertório francês do século XVIII, com páginas emblemáticas provenientes especialmente das Indes galantes, de Zoroastre, de Hippolyte & Aricie, de Dardanus, de Pigmalion e de Castor et Pollux.
O caderno alterna aberturas solenes, árias expressivas e danças de caráter (minuetes, musette, tamborins, rigaudon, contredanse), oferecendo um material ideal para desenvolver o toque, a ornamentação, a gestão dos planos sonoros e o sentido da frase. As chaconas e grandes páginas conclusivas convidam a trabalhar a sustentação do discurso, a progressão das variações e a resistência, enquanto as peças mais curtas se integram facilmente em um programa de concerto, uma audição de classe ou momentos escolhidos no serviço.
A adaptação é pensada para tirar proveito das cores do órgão, permanecendo acessível ao cravo: os equilíbrios de vozes, as articulações e as dinâmicas musicais se constroem pelo jogo e, no órgão, pela escolha dos registros. A presença de um prefácio, de uma tabela de ornamentos e de propostas de registros constitui um verdadeiro diferencial para abordar o estilo francês com método, ganhar autonomia e afinar a interpretação. Um caderno particularmente pertinente para organistas em busca de repertório barroco francês inspirado na cena, tão eficaz para o trabalho técnico quanto para o prazer musical.