Este Magnificat em sol menor (RV 160) ilustra toda a força dramática e a finesse da escrita de Antonio Vivaldi na música litúrgica. Sua atividade como padre, mas sobretudo seus longos anos como diretor musical do Ospedale della Pietà em Veneza, alimentaram uma produção sacra abundante, pensada para atender às necessidades do culto ao mesmo tempo que valorizava os músicos e cantoras da instituição.
O Magnificat chegou até nós em duas versões. A primeira enfatiza claramente uma concepção dominada pelo coro, com uma coerência geral ideal para um conjunto vocal completo. A segunda, por sua vez, desenvolve mais a expressão individual: várias passagens são repensadas na forma de árias solo mais extensas, especialmente nos textos "Et exultavit", "Quia respexit", "Quia fecit", "Esurientes" e "Sicut locutus est".
Esses acréscimos, mais líricos e virtuosos, testemunham uma adaptação muito concreta às vozes disponíveis no Ospedale: os manuscritos indicam até que algumas árias foram feitas sob medida para jovens da instituição, mencionadas pelo nome no autógrafo. Para um coro SATB, esta obra constitui assim um terreno privilegiado para trabalhar o equilíbrio das seções, a retórica barroca e a continuidade entre a escrita coral e a expressão solo, com um acompanhamento ao piano prático tanto em ensaio quanto em performance.