Lyraeé uma obra para quarteto de cordas, harpa e percussões, que se inspira numa estrela fascinante da constelação da Lira: uma estrela dupla cujas duas entidades se atraem, se repelem e se eclipsam, criando ao seu redor uma névoa estelar, um halo de poeira cósmica carregada de energia.
A peça é concebida de uma só vez, como um verdadeiro pas de deux: as forças em presença conduzem a dança alternadamente, respondem-se e transformam-se, sem jamais cair num confronto frontal. A escrita valoriza o diálogo dos timbres e das texturas, explorando a profundidade do quarteto de cordas, a clareza cristalina da harpa e o poder evocativo das percussões (do sopro sombrio do tamtam às ressonâncias do vibrafone e do marimba).
Uma introdução instala um espaço inicial escuro, misterioso e ameaçador, onde a matéria ruge e se desintegra. Progressivamente, essa massa sonora metamorfoseia-se em poeira luminosa e cintilante, até deixar emergir um episódio mais lírico, como um canto nascido da névoa estelar. A obra retorna então à escuridão angustiante do início, numa continuidade orgânica onde as duas facetas de Lyraese encadeiam, fundem-se e misturam-se.
Encomendado pela Académie du Festival d'Aixe ProQuartet, esta partitura dirige-se a intérpretes em busca de um repertório de música de câmara contemporâneaao mesmo tempo exigente, sensorial e altamente sugestivo, ideal tanto para o concerto quanto para um trabalho aprofundado sobre o equilíbrio dos planos sonoros e a cor instrumental.